quarta-feira, março 18, 2015

HOMALOPETALUM JOINVILLENSE - UMA NOVA ORQUÍDEA EM SANTA CATARINA

Pesquisadores de botânica da Universidade Federal do Paraná encontraram uma nova espécie de Orchidaceae - Homalopetalum Rolfe, gênero coletado anteriormente no Brasil por Pinel (em 1853 no Rio de Janeiro) e posteriormente por Hoehne (em 1920 em Santo André).

Homalopetalum joinvillense (Imagens 1 e 2) trata-se de uma pequena orquídea com 2 cm de altura, flores verdes e muito efêmeras. Apresenta semelhanças com Pinelia hypolepta Lindl. (= Pinelia paulensis Hoehne & Schltr.), porém o calo do labelo é semelhante com Pinelia alticola Garay & Dunst. (todas atualmente no gênero Homalopetalum). Foi encontrada em Joinville (SC), com a qual foi homenageada a cidade em seu nome científico.

Imagem 1: Homalopetalum joinvillense Mancinelli & E.C.Smidt. Foto: Jader Rampinelli.

Imagem 2: Homalopetalum joinvillense Mancinelli & E.C.Smidt. Foto: Werner S. Mancinelli.

O artigo com a prancha e descrição completa pode ser encontrado no periódico PHYTOTAXA, pelo link: http://www.mapress.com/phytotaxa/content/2015/f/p00202p283f.pdf 

domingo, junho 23, 2013

Nova espécie de Orquídea descoberta em Santa Catarina



Pesquisadores do departamento de Botânica da UFPR descobriram uma nova espécie de orquídea, Sarcoglottis catharinensis. Esta espécie foi devidamente publicana na revista Kew Bulletin e se encontra a disposição para consulta on-line.

Localizada no município de Garuva (Santa Catarina). Até então eram conhecidas somente 3 especies do gênero em Santa Catarina. Esta ocorre na Floresta Montana nas altitudes próximas a 900m. Suas flores brancas a destacam dentre as herbáceas. Seu labelo a destaca das demais do gênero pelo ápice truncado involuto.

Tal descoberta foi fruto do levantamento de Orchidaceae na Serra Quiriri (Mancinelli, inédito). Devido o grande número de montanhas e vales que compõem esta serra de Garuva, a qual pode atingir altitudes de 1.500m. Tal fato garante que o estudo ainda não pode ser concluído e muito se têm ainda a conhecer.


Nesta mesma serra foram encontradas novas ocorrências em Myrtaceae para o Estado. Confira no Blog da Serra Quiriri

sexta-feira, junho 14, 2013

As Novas Orquídeas Brasileiras do Séc. XXI

A descoberta de novas espécies de orquídeas, no mundo como um todo, está fadada a uma gradual redução. Primeiramente por causa dos grandes esforços realizados no passado e em segunda mão pela rápida troca de informações (evitando novos sinônimos) via internet e permuta/empréstimos dos herbários. Descobrir uma nova espécie não se trata de um objetivo em sí, mas uma consequência do esforço amostral.
Em média, nas ultimas duas décadas foram descobertas entre 180 a 500 novas espécies por ano. Destaca-se nesse contexto a América Tropical, seguida pelo Sudeste Asiático e Madagascar.
Os checklist de Orchidaceae no Brasil tiveram seu início com Alfred Cogniaux (1904-1906), seguindo novos acréscimos ao conhecimento conforme abaixo:
  • 1906 = 1.455 spp.
  • 1932 = 2.043 spp.
  • 1952 = 2.116 spp.
  • 1977 = 2.350 spp. 
  • 2012 = 2.432 spp.
Conforme Pabst & Dungs (1977), das 2.350 orquídeas válidas para o Brasil, 80% foram descritas por 9 taxonomistas:
  • Lindley = 371 spp.
  • Barbosa Rodrigues = 347 spp.
  • Reichenbach f. = 308 spp.
  • Schlechter = 236 spp.
  • Pabst = 186 spp.
  • Cogniaux = 167 spp.
  • Hoehne = 133 spp.
  • Rolfe = 57 spp.
  • Brade = 56 spp. 
Ao se observar a proporção de nomes válidos/inválidos e o empenho na descoberta de híbridos, vemos o exagerado esforço em certas regiões e em outros escasso. Espécies invalidas descritas são hoje um sério problema à conservação de plantas (realmente) raras.

Figura 1: relação de taxa por regiões.



Conforme Barros et al. (2012) e Govaerts (2012), entre 2000 e 2012 foram descritas 159 novas espécies de orquídeas válidas para o Brasil. Isto representa um acréscimo de 7% em 12 anos.
 
Figura 2: Novas espécies de Orchidaceae descritas no Brasil entre 2000-2012.

Vale destacar que dessas novas espécies: 74% foram publicados somente por brasileiros; 17% publicadas em colaboração de brasileiros e estrangeiros e; 9% publicadas somente por estrangeiros. 48% dessas espécies foram descritas por amadores. O corpo científico deve realizar maior esforço de campo.
Figura 3: Novas espécies de Orchidaceae descobertas por Estado.

A medida que novas espécies de Orchidaceae são descobertas, tantas outras são sinonimizadas, como pode-se perceber nos casos de revisões de gêneros abaixo:
  • Smidt (2007) revisou Bulbophyllum Thouars para a Região neotropical, o estudo totalizou 60 espécies, 5 destas novas. O estudo resultou em 35 novos sinônimos. 
  • Azevedo (2009) revisou Prescottia Lindl. para o Brasil, o estudo totalizou 15 espécies, 2 destas novas. O estudo resultou em 11 novos sinônimos.
  • Pansarin (2005) Cleistes Rich. ex Lindl. para o Brasil, o estudo totalizou 18 espécies, 3 destas novas. O estudo resultou em 4 novos sinônimos.
Figura 4: exemplo de sinonimos.

Referências:
  • Barros, F. de; Vinhos, F.; Rodrigues, V.T.; Barberena, F.F.V.A.; Fraga, C.N.; Pessoa, E.M. &Forster, W. (2012). Orchidaceae. In: Lista de Espécies da Flora doBrasil. JardimBotânicodo Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br).
  • Cogniaux, A. (1904-1906). Orchidaceae. In: Martius, C. F. P.; Eichler, A. G. & Urban, I. (eds.). Flora brasiliensis 3(6). Monachii, Typographia Regia.
  • Cribb, P. (2005). Why are new orchids still being discovered? In: 18th World Orchid Conference, Dijon, France. (http://www.woc2005.org/english/lecture%20list.htm).
  • Cribb, p. (2007). A descoberta de espécies de orquídeas. In: Araujo, D. (http://www.delfinadearaujo.com/on/specialWOC/entrevistas/cribb/cribb2port.htm).
  • Govaerts, R. (2012). World Checklist of Monocotyledons Database. Royal Botanic Gardens, Kew. (http://www.kew.org/wcsp).
  • Pabst, G. & Dungs, F. (1977). Orchidaceae Brasiliensis. v. 2. Kurt Schmersow, Hildeshein. 
  • Pillon, Y. & Chase, M. W. (2007). Taxonomic exaggeration and its effects on orchid conservation. Conservation Biology 21:263-265.
  • Smidt, E. C. (2007). Filogenia e revisão taxonômica de Bulbophyllum Thouars (Orchidaceae) ocorrentes no Neotrópico. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Feira de Santana.

domingo, março 03, 2013

Uma orquídea híbrida encontrada no Paraná



 Durante uma pesquisa no estado do Paraná, numa área remanescente de Cerrado, foi encontrado um indivíduo do gênero Bulbophyllum Thouars, o qual apresentava características intermediárias entre espécies simpátricas: B. peri Schltr. e B. tripetalum Lindl. Sabe-se que os parentais apresentam sobreposição dos períodos de floração.


A-B. Bulbophyllum tripetalum; C-D. B. ×guartelae; E-F. B. peri

A espécie recebe o nome de Bulbophyllum ×guartelae Mancinelli & E.C. Smidt, devido a mesma ter sido coletada no canyon do Guartelá.

Pelas suas feições intermediárias e o fato de ser encontrado um indivíduo, a mesma é considerada híbrida.
Não são conhecidos os mecanismos de polinização entre os parentais, mas a diferença entre as estruturas florais e o odor indicam o isolamento reprodutivo pré-polinização.

Sabe-se que a hibridização ocorre com frequencia na família Orchidaceae e pode gerar material apto para uma radiação adaptativa rápida (van der Pijl & Dodson 1996, Seehausen 2004).


Dessa maneira muitas espécies atuais tiveram uma origem híbrida e a partir daí passaram a se constituir uma população isolada dos demais parentais.
 

Confira a descrição desta notoespécie na Revista Rodriguesia!


Referências

Seehausen, O. (2004) Hybridization and adaptative radiation. Trends of Ecology Evolution 19: 198–207.

Van der Pijl, L. & Dodson, C. H. (1966) Orchid flowers: their pollination and evolution. University of Miami Press, Coral Gables, 214 pp.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Thismia prataensis - uma nova espécie no Paraná

Os pesquisadores Christopher T. Blum, Werner S. Mancinelli e Eric C. Smidt da Universidade Federal do Paraná descobriram uma nova e curiosa espécie de Thismiaceae: Thismia prataensis.


Trata-se de uma pequena espécie aclorofilada, saprófita. Natural do interior da floresta da encosta Atlântica.   Até então essa família não era conhecida para o estado do Paraná.

A espécie leva o nova do local aonde ela foi encontrada em 2009, a Serra da Prata, no município de Morretes-PR. Numa área preservada no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. Confira a reportagem completa no site do Parque Nacional.

Esta rara espécie foi devidamente publicada e ilustrada na revista Systematic Botany em 2012.

segunda-feira, novembro 19, 2012

Guido Frederico João Pabst (1914-1980)



Nascido aos 19 de setembro de 1914 em Porto Alegre (RS) um alto funcionário da antiga VARIG, dedicava-se nas horas livres à botânica. Ao ser transferido para o Rio de Janeiro, foi fortemente iniciado na botânica por Edmundo Pereira e Graziela Barroso, recebendo boa parte de sua instrução sobre Orchidaceae dos botânicos Alexandre Curt Brade e Frederico Carlos Hoehne. Apesar de sua morte, este ainda permanece como um dos principais nomes da Orquidologia do Brasil. Em 1950 publicou seus primeiros manuscritos sobre orquídeas, totalizando quase 200 trabalhos científicos.
Estudou na Europa as coleções de orquídeas brasileiras dos herbários: Royal Botanical Garden (Kew); Museum de Histoire Naturelle (Paris) e; Botanische Staatssammlung (Munique). Além das coleções dos Estados Unidos: Oak Ames Orchid Herbarium (Harvard University em Cambridge) e; United States National Museum (Washington).
Em 1958, por ocasião do Sesquicentenário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, recebeu a medalha D. João VI. Sendo que neste mesmo ano fundou o HerbariumBradeanum.
O Brasil herdou deste inestimável pesquisador obras como a Orchidaceae Brasiliensis (vol. 1 e 2) e boa parte das orquídeas coletadas em seu tempo foram justamente determinadas por Pabst, fato que pode ser observado nas exsicatas da maioria dos herbários brasileiros.
Publicou ao total cerca de 186 novas espécies de orquídeas, algumas delas bastante raras como no exemplo abaixo de uma espécie endêmica de Santa Catarina: 
Acianthera murexoidea (Pabst) Pridgeon & M.W.Chase
Guido Frederico João Pabst faleceu, com 65 anos, em 27 de abril de 1980. Em sua homenagem foram criados gêneros de orquídeas: Pabstiella Brieger & Senghas e Pabstia Garay.

Pabstiella mirabilis (Schltr.) Brieger & Senghas
Pabstia viridis (Lindl.) Garay
Referências Bibliográficas:
HATSCHBACH, G. Lista das orquidáceas paranaenses do herbário Hatschbach. Orquídea 24: 90-96. 1962.
KLEIN, R. M. Ecologia da flora e vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia 31: 1-164. 1979.
PABST, G. & DUNGS, F. Orchidaceae Brasiliensis. v. 1. Kurt Schmersow, Hildeshein. 1975.
PABST, G. & DUNGS, F. Orchidaceae Brasiliensis. v. 2. Kurt Schmersow, Hildeshein. 1977.
REVISTA BRADEA. Guido Frederico João Pabst. Bradea 10: 65-76. 1980.

terça-feira, agosto 28, 2012

Madeiras do Paraná

Interessante!
 
Quem já visitou o Museu Ferroviário de Curitiba pôde ver que , além de todos os objetos históricos, há uma coleção com os vários tipos de madeiras das Formações Vegetacionais paranaenses. Vale a pena passar lá pra dar uma conferida. É de graça!





http://www.sppert.com.br/Brasil/Paran%C3%A1/Curitiba/Turismo/Cultural/Museus/Museu_Ferrovi%C3%A1rio_de_Curitiba/