segunda-feira, dezembro 21, 2009

Gigantes da Mata Atlântica

Todo aquele que explora a Mata Atlântica já se deparou com verdadeiros gigantes da floresta. O Ficus organensis (Miq.) Miq., dentre as arbóreas é único. Apresentando feições características no seu tronco e porte avantajado.

Alguns indivíduos dessa espécie, por seu grande porte, chegam a sustentar densas populações de epífitas, lianas, constritoras e parasitas. Mancinelli & Esemann de Quadros (2007), registraram 81 espécies de epífitos vasculares sobre um único indivíduo de F. organensis. Estudo muito importante é o de Gonçalves & Waechter (2003), onde foi estudado epífitos vasculares sobre essas árvores.

No livro Plano de Coleção (REITZ, 1965), é destacado um exemplar que forma um verdadeiro Arco do Triunfo. Este indivíduo ainda permanece lá, chamando a atenção dos que passam por Garcia (SC).

terça-feira, dezembro 15, 2009

Poema: Jacatirão


"Explosão
É novembro, dezembro, janeiro...
Explode com força a cor da flor do Jacatirão:
Pétalas de esperança colorindo o futuro...
Sinal de vida ainda, a luz do nosso caminho
frutos coloridos, lembrando
que ainda existe Natal..."


Poema de: Luiz Carlos Amorin

Per Karl Hjalmar Dusén (1855 – 1926)

Dusén nasceu em 04 de agosto de 1855, em Wimmerby (província de Smaland) na Suécia. Formado em Engenheiro Mecânica, praticou sua profissão até 1880. Por influência de um parente, iniciou seus estudos de História Natural entre 1881 e 1898 e, posteriormente ocupou o cargo de assistente na seção de biologia do Museu de Estocolmo. Em 1904, obteve seu doutorado na Universidade de Princeton (EUA).

Dusén realizou várias viagens: em 1890 pela África Oriental; pela Patagônia, entre 1895 e 1897, e 1906 e; ao Brasil. Suas expedições pelo Brasil começaram em 1902. Dedicou-se intensamente ao estudo da flora do Estado do Paraná, primeiramente de 1903 a 1904, depois de 1908 até 1912, e por fim de 1913 até 1916. Somente para o Paraná foram feitos 70.000 números de coleta de plantas vasculares e 1.000 números de musgos, podendo ser encontradas em Estocolmo, parte no Rio de Janeiro e parte em Curitiba.

Faleceu em 22 de janeiro de 1926 na cidade de Tranas.

Diversas espécies levam o nome de Dusén, assim como o herbário PKDC, em Curitiba, Brasil.

Fontes:

TOSCANO DE BRITO, A. L. V. & CRIBB, P. J. Orquídeas da Chapada Diamantina. Nova Fronteira, São Paulo. 2005.

HOEHNE, F. C. Araucarilândia: observações gerais e contribuições ao estudo da flora e phytophysionomia do Brasil. Secretaria da agricultura , industria e comercio do Estado de São Paulo, São Paulo. 1930.

domingo, novembro 22, 2009

Frederico Carlos Hoehne (1882 – 1959)

Nasceu a 1º de março de 1882, no município de Juiz de Fora (MG). Quando jovem mudou-se para o Rio de Janeiro, sendo que, em 06 de agosto de 1907, iniciou sua carreira no serviço público, onde foi nomeado Jardineiro Chefe do Museu Nacional.

Entre 1908 e 1912 trabalhou na Comissão Rondon, ocupando o cargo de “Ajudante Botânico”. De 1913 a 1914 fez parte da expedição científica “Roosevelt-Rondon”, voltando depois a fazer novamente parte da Comissão Rondon, na qual trabalhou até 1917. Nesse ano, a convite do Dr. Artur Neiva, foi contratado para exercer o cargo de Botânico do Instituto Butantã (São Paulo). Foi criado o Horto “Oswaldo Cruz” onde iniciou a Seção de Botânica. Transferida em 1923 para o Museu Paulista e mais tarde, no ano de 1928, para o Instituto Biológico. Em 1929 Hoehne foi contemplado com o título de “Doutor Honoris Causa” da Universidade de Goettingen, Alemanha.

Em 1938 a Seção de Botânica foi desmembrada pela criação do Departamento de Botânica do Estado, mais tarde reorganizada no Instituto de Botânica. Lá permaneceu como diretor até sua aposentadoria em 1952, onde recebeu o título de “Servidor Emérito do Estado”.

Contribuiu enormemente para a flora do Brasil, ao idealizar e iniciar a publicação científica, a FLORA BRASÍLICA, sendo autor de oito volumes. Sendo que o grupo vegetal que mais lhe fascinava eram as orquídeas, às quais chamava de “Rainhas da floresta”.

Hoehne faleceu aos 16 de março de 1959, com idade de 77 anos.

Fonte: TEIXEIRA, A. R. 1962. Frederico Carlos Hoehne. Arquivos de Botânica do Estado de S. Paulo. 3: 221-222.

sábado, novembro 07, 2009

Guia do Herborizador

Escrito em 1942 por Joaquim Franco de Toledo, o Guia do Herborizador e Preparador de Fanerógamas elucida os principais aspectos que devem ser observados durante a herborização de plantas coletadas para estudo.
O interessante dessa obra é que o modo de herborização para palmeiras (Arecaceae) e cactos (Cactaceae) são bem descritos!
A obra encontra-se disponível no link:



Disponível por 60 dias pelo site Rapidshare.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Manual Técnico da Vegetação Brasileira

Editado em 1992, o Manual Técnico da Vegetação Brasileira encontra-se disponível para baixar no site do IBGE. Este trata principalmente sobre o Sistema Fitogeográfico do Brasil. Disponível no link:

[clique aqui para acessar o link]

Para complementar, no site no IBGE encontra-se para baixar o Mapa de Biomas do Brasil e Mapa da Vegetação do Brasil, pelo link:
ftp://ftp.ibge.gov.br/Cartas_e_Mapas/Mapas_Murais/

terça-feira, outubro 27, 2009

Líquen - Simbiose fascinante!!!

Líquen é uma associação simbiótica entre um fungo (micobionte) e uma alga (ficobionte). Nessa relação o fungo fornece abrigo e umidade e a alga fornece hidrato de carbono produzido por ela. Vivem como se fossem um único ser, sendo que alguns autores consideram que esta associação pode ser vista como um parasitismo controlado do fungo sobre as células algais, como se o fungo cultivasse as algas para benefício próprio.
O número estimado de fungos liquenizados varia entre 13.500 à 18.000, e várias espécies novas têm sido constantemente descobertas. Dentre os liquens, aproximadamente 98% dos fungos são Ascomycota e apenas 2% Basidiomycota. As algas clorófitas e as cianobactérias são consideradas os fotobiontes de maior importância na constituição do talo liquênico, destacando-se entre elas os gêneros Trebouxia, Trentepohlia (clorófitas) e Nostoc (cianobactéria).

Os líquens são cosmopolitas e com grande dispersão pelo mundo. São capazes de viver nas regiões desérticas, em solos nus, troncos de árvores, em rochas aquecidas pelo Sol, em mourões de cerca e até nos picos.

São os organismos pioneiros de muitos ambientes. Muito bem adaptados para ambientes xerófitos. O crescimento em áreas pouco favoráveis (desertos, pólos e montanhas rochosas) é retardado devido a situações de alto estresse que também impossibilitam a sucessão dessas comunidades. A sucessão dar-se-á caso o ambiente seja favorável, estável e com luminosidade suficiente. Em geral, a sucessão ocorre na ordem: líquens, briófitas e finalmente plantas vasculares.

Os líquens podem ser classificados convenientemente a partir de diferentes aspectos. De acordo com seu substrato são chamados de: corticícolas (em casca de árvore), saxícolas (rochas), lignícolas (lenho), terrícolas (solo), foliícolas (folhas de plantas) e entre outros substratos. Em relação à forma do talo oriundo da organização entre os simbiontes, os líquens podem ser ditos: crustosos (aspecto de mancha sobre o substrato e fortemente adnato); foliosos (apresentam aspecto de pequenas folhas irregulares), esquamulosos (parecidos com minúsculas escamas, próximas ao substrato) e fruticosos (lembrando um sistema de pequenos ramos). Ainda podem apresentar a forma dimórfica, na qual o talo liquênico é constituído por uma porção horizontal (crustosa ou esquamulosa) e uma vertical (fruticosa e ereta).

Dentro os liquens mais comumente encontrados e coletados podem ser citados os pertencentes aos gêneros Cladonia (dimórfico), Ramalina, Teloschistes (fruticosos) e Parmotrema (folioso).

Laboratório de Liquenologia

quinta-feira, outubro 22, 2009

Bromeliaceas

As bromélias são plantas compreendidas na família botânica Bromeliaceae, que reúne 3.086 espécies. Essas plantas são encontradas no continente americano, onde Pitcairnia feliciana é a única espécie do grupo encontrada no oeste africano. As bromélias distribuem-se desde a Argentina e o Chile, até o norte do estado de Virgínia nos Estados Unidos da América, sendo muito comum no Brasil.
Essas plantas também são conhecidas por monjola (portugueses), gravatá ou caraguatá (tupi-guaranis). O nome bromélia vem da homenagem feita ao botânico e médico sueco Olaf Ole Bromel (1639 - 1705). Podem ocorrer como epífitas (apoiadas sobre árvores sem parasita-las), como rupícolas (sobre rochas) ou ainda como terrícolas, como Bromelia antiacantha.
Suas folhas são distribuídas na forma de rosetas (espiral) onde muitas podem formar tanques para acumular água e detritos, suas folhas são revestidas por tricomas que auxiliam na absorção de água. Nas florestas tropicais, suas comunidades formam lagos suspensos.
Diversos animais usam bromélias como auxílio na sua sobrevivência, como macacos, que bebem da água acumulada em bromélias epífitas e também podem se alimentar das suas folhas, diversos insetos as utilizam como moradia e fonte de sobrevivência, além disso muitas aves se alimentam dos frutos e do néctar das flores. Ocorrem em florestas tropicais em altitudes que chegam a 4.200m, até desertos. As maiores bromélias existentes, ocorrem nos Andes, Puya raimondii, que atingem 3 – 4m e de 10 – 15m quando floridas. A epífita Tillandsia usneoides (barba de velho) é provavelmente uma das menores espécies, além disso, não apresenta raízes.

terça-feira, outubro 06, 2009

Pesquisa: Levantamento das Espécies sul-brasileiras do Gênero Bulbophyllum

O gênero Bulbophyllum destaca-se como sendo um dos maiores gêneros da família Orchidaceae, com aproximadamente 1200 espécies, ocorre por toda a região pantropical. Nos Neotrópicos, ocorrem cerca de 60 espécies, sendo a maioria no Brasil. Suas flores possuem cores e odores especializados à atração de moscas, caracterizando-se por apresentarem um labelo móvel, o qual é uma armadilha. Em algumas espécies a polinização é auxiliada pelo vento. O labelo móvel funciona como uma espécie de gangorra onde o peso do polinizador (ou o vento) causa a descida do labelo. Quando o inseto vai ao pé da coluna em busca de alimento, o labelo retorna a sua posição inicial, prendendo o inseto contra a coluna. Para sair da flor, o inseto obrigatoriamente se fricciona contra a coluna, promovendo a polinização.
Levantamentos ocorreram para a confecção da Flora de Bulbophyllum referente aos três estados da região sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Todas as espécies ocorrentes no sul foram identificadas, descritas, ilustradas, indicados os status de conservação e as populações remanescentes mapeadas.
Professor Orientador: Dr. Eric de Camargo Smidt

terça-feira, setembro 29, 2009

Seleção Mestrado em Botânica da UFPR - 2010

Cerrado no Paraná

O município de Jaguariaíva (PR) abriga um dos últimos remanescentes de Cerrado no sul do Brasil. Mediante a disciplina de Flora Local / Formações Vegetacionais, graduandos de ciências biológicas e mestrandos do curso de botânica puderam estudar as características e as espécies vegetais existentes o Bioma mais ameaçado do Brasil. Ao contrário do que muitos supõem, o cerrado não apresenta espécies xeromórficas, pois o clima se caracteriza por duas estações muito bem definidas (seca e úmida), onde a precipitação anual fica entorno de 1.000 mm. O solo é rico em ferro e alumínio, profundo e argiloso (latossolo), sendo o lençol freático igualmente profundo. Por isso as espécies apresentam sistema radicular profundo. A vegetação herbácea, seca no período de seca constituindo-se o combustível para os incêndios, os quais ocorrem naturalmente nos cerrados. Espécies arbustivas / arbóreas apresentam adaptações especiais para a sobrevivência aos incêndios, os troncos possuem casca extremamente engrossada e folhas espessadas. Relatos indicam que os indígenas iniciavam incêndios no cerrado, para a caça e preparação do solo para a agricultura. O cerrado existente encontra-se preservado, dentro dos limites do Parque Estadual do Cerrado. Neste Parque foi realizado estudo muito relevante sobre a composição florística, disponível no site: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/acta/article/viewFile/6866/4875

Orquideas / Orchids


As orquídeas (orchids) constituem a maior família de plantas, estimada entre 20-25 mil espécies. Ocorrem em todo o planeta, exceto nas regiões polares e nos desertos, alcançando o norte da Suécia e Alaska até a Tierra del Fuego e a ilha Macquarie. Porém a maioria das espécies ocorre nas regiões tropicais, crescendo diretamente no solo, sobre pedras, ou, principalmente, como epífitas.
A família Orchidaceae foi descrita em 1789 por Antonie Laurent de Jussieu, na obra Genera Plantarum, sendo que anteriormente Linneus, em 1753, havia descrito a espécie typus da família, Orchis militaris L., já no 2º volume de Species Plantarum. O nome deriva de seu antigo uso afrodisíaco, pela semelhança das raízes com testículos, onde foi citado por Teofrasto na sua obra Investigação sobre as Plantas e mais tarde por Dioscórides em Materia Medica, onde ele descreve duas orchis.
Com a expansão do império britânico no século XIX, iniciou-se o interesse pelo cultivo de orquídeas. Atualmente a venda e o cultivo de orquideas cerca de nove bilhões de dólares anualmente. Atualmente diversas espécies de orquideas encontram-se sob ameaça de extinção, devido a forte coleta e a destruição dos hábitats.
Diversas linhas de pesquisa em botânica vêm desempenhando esforços para a compreenção evolutiva, mapeamento populacional, descrição de novas espécies e tomando medidas preservação destas plantas.