terça-feira, outubro 27, 2009

Líquen - Simbiose fascinante!!!

Líquen é uma associação simbiótica entre um fungo (micobionte) e uma alga (ficobionte). Nessa relação o fungo fornece abrigo e umidade e a alga fornece hidrato de carbono produzido por ela. Vivem como se fossem um único ser, sendo que alguns autores consideram que esta associação pode ser vista como um parasitismo controlado do fungo sobre as células algais, como se o fungo cultivasse as algas para benefício próprio.
O número estimado de fungos liquenizados varia entre 13.500 à 18.000, e várias espécies novas têm sido constantemente descobertas. Dentre os liquens, aproximadamente 98% dos fungos são Ascomycota e apenas 2% Basidiomycota. As algas clorófitas e as cianobactérias são consideradas os fotobiontes de maior importância na constituição do talo liquênico, destacando-se entre elas os gêneros Trebouxia, Trentepohlia (clorófitas) e Nostoc (cianobactéria).

Os líquens são cosmopolitas e com grande dispersão pelo mundo. São capazes de viver nas regiões desérticas, em solos nus, troncos de árvores, em rochas aquecidas pelo Sol, em mourões de cerca e até nos picos.

São os organismos pioneiros de muitos ambientes. Muito bem adaptados para ambientes xerófitos. O crescimento em áreas pouco favoráveis (desertos, pólos e montanhas rochosas) é retardado devido a situações de alto estresse que também impossibilitam a sucessão dessas comunidades. A sucessão dar-se-á caso o ambiente seja favorável, estável e com luminosidade suficiente. Em geral, a sucessão ocorre na ordem: líquens, briófitas e finalmente plantas vasculares.

Os líquens podem ser classificados convenientemente a partir de diferentes aspectos. De acordo com seu substrato são chamados de: corticícolas (em casca de árvore), saxícolas (rochas), lignícolas (lenho), terrícolas (solo), foliícolas (folhas de plantas) e entre outros substratos. Em relação à forma do talo oriundo da organização entre os simbiontes, os líquens podem ser ditos: crustosos (aspecto de mancha sobre o substrato e fortemente adnato); foliosos (apresentam aspecto de pequenas folhas irregulares), esquamulosos (parecidos com minúsculas escamas, próximas ao substrato) e fruticosos (lembrando um sistema de pequenos ramos). Ainda podem apresentar a forma dimórfica, na qual o talo liquênico é constituído por uma porção horizontal (crustosa ou esquamulosa) e uma vertical (fruticosa e ereta).

Dentro os liquens mais comumente encontrados e coletados podem ser citados os pertencentes aos gêneros Cladonia (dimórfico), Ramalina, Teloschistes (fruticosos) e Parmotrema (folioso).

Laboratório de Liquenologia

quinta-feira, outubro 22, 2009

Bromeliaceas

As bromélias são plantas compreendidas na família botânica Bromeliaceae, que reúne 3.086 espécies. Essas plantas são encontradas no continente americano, onde Pitcairnia feliciana é a única espécie do grupo encontrada no oeste africano. As bromélias distribuem-se desde a Argentina e o Chile, até o norte do estado de Virgínia nos Estados Unidos da América, sendo muito comum no Brasil.
Essas plantas também são conhecidas por monjola (portugueses), gravatá ou caraguatá (tupi-guaranis). O nome bromélia vem da homenagem feita ao botânico e médico sueco Olaf Ole Bromel (1639 - 1705). Podem ocorrer como epífitas (apoiadas sobre árvores sem parasita-las), como rupícolas (sobre rochas) ou ainda como terrícolas, como Bromelia antiacantha.
Suas folhas são distribuídas na forma de rosetas (espiral) onde muitas podem formar tanques para acumular água e detritos, suas folhas são revestidas por tricomas que auxiliam na absorção de água. Nas florestas tropicais, suas comunidades formam lagos suspensos.
Diversos animais usam bromélias como auxílio na sua sobrevivência, como macacos, que bebem da água acumulada em bromélias epífitas e também podem se alimentar das suas folhas, diversos insetos as utilizam como moradia e fonte de sobrevivência, além disso muitas aves se alimentam dos frutos e do néctar das flores. Ocorrem em florestas tropicais em altitudes que chegam a 4.200m, até desertos. As maiores bromélias existentes, ocorrem nos Andes, Puya raimondii, que atingem 3 – 4m e de 10 – 15m quando floridas. A epífita Tillandsia usneoides (barba de velho) é provavelmente uma das menores espécies, além disso, não apresenta raízes.

terça-feira, outubro 06, 2009

Pesquisa: Levantamento das Espécies sul-brasileiras do Gênero Bulbophyllum

O gênero Bulbophyllum destaca-se como sendo um dos maiores gêneros da família Orchidaceae, com aproximadamente 1200 espécies, ocorre por toda a região pantropical. Nos Neotrópicos, ocorrem cerca de 60 espécies, sendo a maioria no Brasil. Suas flores possuem cores e odores especializados à atração de moscas, caracterizando-se por apresentarem um labelo móvel, o qual é uma armadilha. Em algumas espécies a polinização é auxiliada pelo vento. O labelo móvel funciona como uma espécie de gangorra onde o peso do polinizador (ou o vento) causa a descida do labelo. Quando o inseto vai ao pé da coluna em busca de alimento, o labelo retorna a sua posição inicial, prendendo o inseto contra a coluna. Para sair da flor, o inseto obrigatoriamente se fricciona contra a coluna, promovendo a polinização.
Levantamentos ocorreram para a confecção da Flora de Bulbophyllum referente aos três estados da região sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Todas as espécies ocorrentes no sul foram identificadas, descritas, ilustradas, indicados os status de conservação e as populações remanescentes mapeadas.
Professor Orientador: Dr. Eric de Camargo Smidt