sexta-feira, novembro 19, 2010

Flora Paranaense: Orchidaceae

No estado do Paraná a família Orchidaceae consta com 583 espécies pertencentes a 127 gêneros. São conhecidas 39 espécies encontradas somente no estado. Dentre aos que se dedicaram a pesquisar e coletar as orquídeas do Paraná, destacam-se: Per Dusén, Rudolf Lange, Rudolf Schlechter, Friedrich Kränzlin, Guenter Tessmann, Carlos Hoehne, Albino Hatschbach Sobrinho, Gert Hatscbach, Milton Leinig, entre outros.

O estado apresenta diversas formações vegetacionais, como Savana (Cerrado), Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Estacional) e Estepe (Campos Gerais). Tais vegetações favorecem grandes diversidades de orquídeas, principalmente nas áreas de encrave entre Floresta Atlântica e Cerrado.
Sob coordenação do Prof. Dr. Eric de Camargo Smidt, alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) nos níveis de graduação e mestrado estão se dedicando a estudos de taxonomia, levantamentos florísticos, filogenia e biologia reprodutiva de diversos gêneros de Orchidaceae no estado do Paraná e demais regiões.
Interessados em participar nas pesquisas podem entrar em contato com a PrPPG-Botânica.
Abaixo algumas das espécies nativas do Paraná.Fotos: Werner Siebje Mancinelli


Acianthera aveniformis

Acianthera crinita

Aspidogyne kuczynskii

Barbosella trilobata

Bifrenaria tetragona

Bulbophyllum peri

Catasetum triodon

Cattleya forbesii

Cleistes gracilis

Cyanaeorchis minor

Elleanthus brasiliensis

Epidendrum paranaense

Eurystyles lorenzii

Gomesa glaziovii

Grobya galeata

Isabelia violacea

Maxillaria bradei

Microchilus arietinus

Octomeria octomeriantha

Promenaea stapelioides

Prosthechea bulbosa

Prosthechea fragrans

Rodriguesia bracteata

Trizeuxis falcata

Zootrophion atropurpureum

Zygostates pustulata

quarta-feira, novembro 17, 2010

Projeto PANCs

Pessoal, vi hoje parte de um documentário muito interessante realizado por algumas pessoas envolvidas no Projeto PANCs: Soberania Alimentar e Biodiversidade Palpável, do Rio Grande do Sul. Ele trata do fato de que a maioria das pessoas subestimam diversos tipos de plantas, classificadas vulgarmente como 'mato', cujas quais poderiam ser consumidas como alimentos altamente nutritivos.



Segundo os produtores do vídeo, "ele é parte de um projeto elaborado pela nutricionista Irany Arteche para assentados do MST/RS e promovido pela Superintendência da CONAB/PNUD, com oficinas ministradas pelo botânico Valdely Kynupp sobre plantas com grande potencial alimentício e de comercialização, mas que costumam ser negligenciadas. "Somos xenófilos, o brasileiro não come a biodiversidade que tem", adverte Valdely".

Conforme consta no blog DOC VERDADE, "o objetivo do registro é colaborar na divulgação desta experiência para outros assentamentos de reforma agrária e organizações de agricultores familiares nas diferentes regiões do Brasil. Servirá como material pedagógico para cursos que tratem de alternativas para agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional, diversificação agrícola, processamento de novos produtos e alimentos".

O documentário completo está no YouTube, nos vídeos subsequentes.

Rafaela

segunda-feira, outubro 11, 2010

Mestrado em Botânica na UFPR (Curitiba)


Já está disponível o edital de Seleção 2011
Inscrições de 11 a 28 de Janeiro de 2011
Prova 1º de Fevereiro de 2011

Linhas de pesquisa:
-Taxonomia, biologia e diversidade de plantas vasculares
-Taxonomia, biologia e diversidade de algas e liquens
-Sistemática e ecologia molecular de plantas
-Morfologiae anatomiavegetal
-Aplicações dos reguladores vegetais em biotecnologia e propagação vegetativa

Informações:
(41) 3361-1625 / 3361-1626 / 3361-1620
pgbotanica@ufpr.br

terça-feira, setembro 21, 2010

30º ERBOT MG/BA/ES

Estão abertas as inscrições para o XXX ERBOT e II Jornada Capixaba de Botânica. O evento ocorrerá de 14 a 17 de Novembro na cidade de Vitória (ES). Ocorrerão conferências, mesas redontas e minicursos. Vale conferir no site.


quarta-feira, setembro 15, 2010

Neotropikey

Neotropikey é um website que disponibiliza ferramentas on-line para a identificação de plantas neotropicais. Com chave de identificação pelo software DELTA, resumos ilustrados das famílias e glossário. O projeto ainda não está concluído, porém a maioria das famílias já apresenta descrições e imagens. Futuramente o site pretende incluir descrições para a determinação de gêneros.

Epifitismo Vascular

Epífitas são as plantas que vivem apoiadas sobre forófitos (árvores e arbustos) de várias espécies. São freqüentes principalmente nas florestas úmidas, sendo escassas nas florestas secas e savanas. O epifitismo é uma condição de vida, uma vez que estas plantas são autótrofas e auto-suficientes, diferentes das parasitas, pois não retiram nutrientes dos seus hospedeiros. Utilizam-se de pequenas partículas de matéria orgânica, poeira, folhas secas, que se acumulam sobre suas raízes.

Muitas vezes, são providos por um denso sistema radicular, altamente especializado com velame e capacitado a absorver a umidade da superfície de troncos ou ramos de seus hospedeiros, bem como da umidade concentrada no ar atmosférico circulante. Outras plantas são capazes de efetuarem parte de sua absorção através de suas folhas, como acontece nas Bromeliaceae. Isto é comum

nas Orchidaceae, Begoniaceae, Cactaceae, Gesneriaceae, Liliaceae. Daí pode-se deduzir que estas plantas somente podem medrar bem em regiões de clima bastante úmido, com chuvas regularmente distribuídas por todos os meses do ano.

Constituem cerca de 10% de todas as espécies vasculares, aproximadamente 25.000 espécies, distribuídas em 84 famílias. Em florestas tropicais as epífitas podem representar de 30-50% da diversidade, além de comportarem cerca de 5% da biomassa total do ecossistema. Sua distribuição vertical no forófito é determinada por vários gradientes micro-ambientais, com intensidade luminosa, velocidade do vento e temperatura do ar crescendo, e umidade do ar decrescendo do nível do solo até na copa das árvores.

Podem ser classificados em holoepífitos habituais (presentes principalmente em ambientes epidêndricos), facultativos (tanto como epidêndricos como terrestres) ou acidentais (principalmente terrestres); e hemiepífitos (epífitos que têm conexão com o solo em alguma fase de sua vida).

Referências:

BENZING, D. H. Vascular epiphytes: general biology and related biota. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

FREIBERG, M. Spatial and temporal pattern of temperature and humidity of a tropical premontane rain forest tree in Costa Rica. Selbyana 18: 77-84, 1997.

KLEIN, R. M. Ecologia da Flora e Vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues 31(31): dez. 1979.

KRESS, W. J. A Symposium: The Biology of Tropical Epiphytes. Selbyana. 9: 1-22, 1986.

terça-feira, junho 22, 2010

Para o pessoal ligado às Leguminosas...
Entre os dias 08 e 14 de Agosto acontecerá em Buenos Aires a “V International Legumes Conference”.
O Objetivo do evento é reunir os especialistas da família e difundir os avanços realizados nesse início do século XXI.
Vale a pena comparecer!!!
Maiores informações no site: http://www.leguminosae.com.ar/

segunda-feira, junho 21, 2010

Ganhar passagem aérea para viajar pela Botânica

Oi pessoal!
Bom dia aos botânicos de plantão!
Quero divulgar a vocês a promoção das linhas aéreas Azul que premiará os participantes da gincana Viajamos (que completarem todas as etapas) com um bilhete de passagem aérea ida e volta para qualquer local que a empresa atue. Eu já ganhei um bilhete em uma promoção no lançamento do site, então, se alguém estiver interessado em viajar para congressos, herbários, ou até mesmo coletas... Inscrevam-se, e boa sorte!
Tomara que vocês também voem de graça!
Ps: A foto é de um lugar bem longe, lá no Espírito Santo chamado Parque Estadual do Forno Grande, para onde ainda voarei novamente! Vejam ao fundo o Pico Forno Grande

Abraço
Julia
Acessem http://www.viajamos.com.br/

I ECBUEL


Entre 11 a 14 de Agosto, em Londrina ocorrerá o I Encontro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina.
O evento trata de temas gerais dentro da biologia. Consta com várias palestras e 16 mini-cursos.
Vale a pena conferir.
Maiores informações no site: http://ecbuel.com

terça-feira, junho 15, 2010

Guia do Herborizador

Escrito em 1942 por Joaquim Franco de Toledo, o Guia do Herborizador e Preparador de Fanerógamas elucida os principais aspectos que devem ser observados durante a herborização de plantas coletadas para estudo.
O interessante dessa obra é que o modo de herborização para palmeiras (Arecaceae) e cactos (Cactaceae) são bem descritos!
A obra encontra-se disponível no link:




segunda-feira, junho 14, 2010

Friedrich Richard Rudolf Schlechter

Botânico, coletor e explorador alemão. Terceiro de seis filhos do litógrafo Hugo Schlechter, de quem herdou a habilidade para o desenho. Rudolf Schlechter nasceu na cidade de Berlin aos 16 de Outubro de 1872. Trabalhou no Herbário de Berlin, em Dahlem, e viajou extensivamente pelas regiões tropicais da África do Sul, Malásia e Nova Guiné publicando extensos trabalhos sobre a flora de orquídeas de cada região. Na série de artigos do periódico Fedde’s Repertorium Species Novarum, descreveu muitas novidades dos Neotrópicos. Cerca de 230 novas espécies somente do Brasil.

Grande parte de sua coleção em Dahlem foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial, perdendo-se diversos typus. Por fim, enfraquecido pelas doenças tropicais, faleceu aos 53 anos de idade, no dia 15 de Novembro de 1925, em sua cidade natal, deixando esposa e duas filhas.

Fontes:

LOESENER, T. 1926. Rudolf Schlechters Leben und Wirken. Notizblatt des Königl. botanischen Gartens und Museums zu Berlin 9: 912-958.

TOSCANO DE BRITO, A. L. V. & CRIBB, P. J. Orquídeas da Chapada Diamantina. Nova Fronteira, São Paulo. 2005.

quinta-feira, maio 06, 2010

III Encontro Nacional de Ilustradores Científicos

Já está disponível na web informações sobre o III Encontro Nacional de Ilustradores Científicos.
O evento ocorrerá dos dias 22 a 25 de Julho em Brasília.
Maiores informações pelo site: http://www.ilustracaocientifica-aiccob.org/

sábado, abril 24, 2010

Melastomataceae invadindo (no bom sentido)

Aqui vão algumas fotos de uma das famílias mais importantes e belas do país: As Melastomataceae.



A famosa Leandra australis (Cham.) Cogn.


A orelha de onça das restingas Tibouchina clavata (Pers.) Wurdack






Miconia sellowiana Naudin



Leandra aurea (Cham.) Cogn.

Trembleya parviflora (D. Don) Cogn.

Tibouchina pulchra Cogn.
Posted by Julia Meirelles

terça-feira, abril 06, 2010

Os Mestrandos!

O Programa de Pós Graduação em Botânica consta com 13 mestrandos que ingressaram no curso em 2009 e 20 mestrandos que ingressaram em 2010.


Turma 2010

Turma 2009

Os estudos que estão sendo realizados são os seguintes:

Regeneração Natutal em fragmento de Floresta Ombrófila Mista e Morfoanatomia da Plântula De Piptocarpha angustifólia Dusén ex Malme (Asteraceae)

Phaseolinae Benth. (Leguminosae – Papilionoideae) No Estado Do Paraná, Brasil

O gênero Cladonia (Cladoniaceae, Ascomycota Liquenizados) Em Ambientes De Restingas E Costões Rochosos Do Paraná E Santa Catarina.

Estrutura Populacional De *Dicksonia Sellowiana* Hook. (Dicksoniaceae) No Brasil: Subsídios Para Conservação Da Espécie

Taxonomia E Distribuição Anual De Pseudo-Nitzschia Peragallo Ao Longo Da Costa De Santa Catarina.

Micropropagação De Clones Selecionados De Pinus Taeda L.
Estudo Taxonômico Do Gênero Ruellia L. (Acanthaceae) No Estado Do Paraná, Brasil.

Anatomia e morfologia funcional de duas espécies epífitas de Rhipsalis (Cactaceae)
Organogênese De Pinus taeda L.

Levantamento De Espécies Sul-Brasileiras Do Gênero Bulbophyllum Thouars (Dendrobieae, Bulbophyllinae)

Variações morfoanatômicas foliares de quatro espécies arbóreas numa estratificação vertical de Floresta Ombrófila Mista

Levantamento das espécies de Cactaceae epífitas do Paraná

Arquitetura de Cyperus giganteus Vahl (CYPERACEAE)

Avaliação da organização estrutural de macrófitas aquáticas relacionadas ao tratamento de efluentes

Análise morfológica e fenológicada comunidade arbórea dos manguezais da Baia de Antonina - Paraná

Pteridófitas do Parque Estadual do Guartelá, Paraná, Brasil

Conservação ex situ de Bulbophyllum seção Didactyle (Orchidaceae) por meio de banco de sementes e germinação in vitro

Desenvolvimento do xilema secundário em Ocotea catharinensis Mez (Lauraceae)

Estudo da Atividade cambial, fenologia e dinâmica de crescimento de Cedrela Fissilis (Cedro) em áreas da Floresta Ombrófila Densa do Estado do Paraná: Dendrocronologia e dendroecologia

Diversidade molecular de fotobiontes de Cladonia (Ascomycota liquenizados) em restingas e costões rochosos do sul do Brasil

O gênero Gomesa R. BR. (Orchidaceae/Epidendroideae/Oncidiinae) no Estado do Paraná.Brasil

Taxonomia de Issoetes das regiões Sudeste e Sul do Brasil

Taxonomia de Diatomáceas das Classes Bacillariophyceae e Fragilariophyceae no plâncton da Baia do Almirantado

Métodos alternativos de micropropagação de Octomeria juncifolia Barb. Rodr
Avaliação do restabelecimento do crescimento do lenho de Podocarpus lambertii em solo contaminado com petróleo

Aplicação de DNA barcoding em plantas utilizadas como medicinais da Mata Atlântica

Micropropagação de guanandi (Calophyllum brasiliense Cambess.) a partir de segnodaismentos

A Família Parmeliaceae Zenker (Ascomycota Liquenizados) em Costões Rochosos na Planície Costeira dos Estados do Paraná e Santa Catarina

Anatomia de caule e folha de Cordia ecaliculata Vell. (Borraginaceae): aspectos morfoanatômicos de material testemunho versos amostras comercializadas

Anatomia ecológica comparativa de folhas de sol e folhas de sombra da espécie Myroxylon peruiferum L.F. (Fabaceae) nas diferentes regiões fitoecológicas no Estado do Paraná

Há uma tendência generalista no sistema de polinização em, espécies de Miconia (Melastomaceae), onde haveria relação entre o tamanho das anteras e dos poros com a diversidade de polinizadores?

quarta-feira, março 31, 2010

A Ecologia que emburrece


Abaixo segue um texto muito interessante!

*A Ecologia que Emburrece*
por Luciano Pizzatto ao site www.ambientebrasil.com.br

Milênios de evolução nos trouxeram ao magnífico momento da ecologia ser pauta integrada das demais funções como a social e econômica, onde toda história de erros e acertos pode ser revista e a ciência aplicar o conhecimento, desde na recusa de modelos energéticos até a urbanização ou o uso do meio rural.
No Brasil, com milhões de profissionais das áreas da Engenharia a Biologia, pesquisadores ou detentores do conhecimento experimental da vida, como aqueles que vivem e sobrevivem junto à natureza, seja nas florestas amazônicas aos campos de produção intensiva de soja que criaram o plantio direto ou o manejo de micros bacias, sinto a frustração de estarem se submetendo a estatização do conhecimento e a normatização dos procedimentos, como se a vida fosse homogênea.
Um país, que difunde ter a maior diversidade, seja biológica a cultural, com bilhões de espécies da fauna a flora, ainda se depara com a mesmice de achar que para um país diverso e heterogêneo, pode adotar uma lei homogênea e imutável de controle do ambiente a exemplo dos limites das APPs ou abandonar milhões de ribeirinhos proibindo genericamente o uso de várzeas ou os apicuns pré mangues.
Triste cena dividir o ambiente florestal carente de recursos para sua conservação com milhões de árvores mortas limitada ilegalmente de corte sob alegação de que sua queda será traumática ao meio, quando na maioria dos casos é necessária a este meio, com a abertura do dossel e insolação, ao estimulo do ser heliófilo, da diminuição da concorrência ou do uso do conhecimento silvicultural do homem para devolver o recurso utilizado na forma de enriquecimento. Ver capacidade imensa da carcinicultura ou da própria piscicultura presa a idolatria de um ecossistema, que se realmente cuidado e conservado em um vasto percentual pode e deve ser utilizado em parcelas onde o conhecimento sabe de qual forma.
O discurso do medo do erro, da dúvida, criado pelo caos da leitura equivocada do princípio 15 da Agenda 21, o Princípio da Precaução, originalmente construído com a ressalva de só poder ser aplicado se as partes suportarem economicamente as restrições e sobre dúvidas fundadas, chega ao ápice de exigir uma verdade verdadeira, algo do campo teológico junto a Deus, onde a ciência só sobrevive no caminho contrário do erro e acerto, da experimentação e da constante dúvida.
Afastar a certeza momentânea é impedir que se descubra suas dúvidas intrínsecas continuando o permanente processo evolutivo da vida. É voltar ao obscurantismo.
No Brasil, vivemos uma ecologia quem emburrece.
As frases de efeito e a lógica do tipo a terra é plana, se impõe sobre a difícil tarefa de dizer que já sabemos que a terra é redonda, agora sabemos que é levemente expandida na linha do equador, e no futuro talvez tenhamos de mudar tudo com inversões magnéticas ou mudanças geológicas.
No caráter de controle do poder público, um grupo acha ser detentor de todo conhecimento, com a capacidade de aprovar ou não aquilo que milhões de profissionais com curso superior, mestrado, doutorado, pós doutorado e a experiência prática afirmam. Não se conteve o Poder Público em criar limites e padrões para emissões e impactos ambientais. Chamou a si o direito de dizer se a atividade proposta serve e a colecionar toneladas de papel de descrições já conhecidas e repetidas e muito pouco de um novo saber.
Não determina a cor, densidade e sabor do café. Exige determinar também qual "coador" deve ser usado, recriando o paradigma de que a ordem dos produtos na soma e subtração não altera o resultado.
Na nossa ecologia, para alguns, a ordem dos produtos altera a equação, e ponto final! E como é simples explicar isto para sociedade do que fundamentar na matemática básica o efeito da falta de ordem em uma equação da adição e subtração.
Alguns sussurros de revolta surgem nas entidades de classe. Outros responsáveis por órgãos públicos ousam dizer que o modelo e necessário, mas está errado e precisamos rever. Temos de ter o Poder Público fazendo sua parte no tocante a informações, zoneamento e fomento as atividades sustentáveis, em detrimento ao falido modelo só de licenciamento e fiscalização.
A Lei de crimes ambientais foi mutilada por um decreto que criou inúmeros outros tipos penais, colocando sob solo infértil o princípio da pré existência da lei, e a justiça frente a uma comunicação incrível de fatos muitas vezes não relacionados à ecologia teme até discordar de tal arbitrariedade.
Tentativas de organizar a fiscalização, obrigando respeitar e ouvir os responsáveis técnicos são descumpridas pelo próprio órgão federal, e absolutamente nada é feito. O fim tem justificado os meios, e uma passagem pelo "youtube" vendo vídeos de fiscalização do tipo "rambo" ou "tropa de elite" já seria caso de direitos humanos para uma corte internacional. Só que estamos salvando o planeta, então tudo pode.
Cidades esbarram em limitações de uma lei feita para o meio rural, desde sua mensagem original há décadas até a tramitação limitada a agricultura. E arquitetos, engenheiros, sanitaristas, geólogos, e tantos outros consultam o departamento jurídico e não mais os laboratórios de pedologia, botânica ou outros para suas decisões.
Neste marasmo não precisamos de revoluções. Basta passarmos a coexistir e respeitar os seres humanos como indivíduos de princípio bons, e os maus frutos de exceções ou falta de orientação. Desburocratizar a ciência ambiental, e fomentar o uso do que sabemos e a busca de soluções pela experimentação das dúvidas.
Parar de impedir o uso até de animais atropelados para que sedentos estudantes de veterinária possam aproveitá-los em estudos e com isto depois ajudar os outros ainda vivos a sobreviverem em nosso meio. Falar a verdade do que já sabemos. Dizer que a água potável é um problema sem amedrontar pelo fim da água como molécula em respeito às leis da física, pelo menos. Fazer uma lista de espécies ameaçadas com caráter gênico e não ideológico ou de paixão. Dar transparência, respeitar princípios, o estado de direito e o tempo evolutivo da sociedade de modelos predatórios para outros menos agressivos.
Já passou do tempo para explicar que se criamos Unidades de Conservação - UCs, com justiça social ou não – outro assunto difícil – é porque as demais áreas são para uso flexível, dinâmico e não restringidas de forma tão ou mais limitantes do que as próprias UCs. Temos de usar a força policial e de controle para consolidar os milhões de hectares destas UCs, atraindo ainda a academia e seus pesquisadores e alunos para estes laboratórios naturais, e ainda se possível fiscalizar o privado, pois no atual modelo não fazemos nem um nem outro, e o bem público se transforma em terra de ninguém e o privado uma área de insegurança funcional e jurídica.
Por último, mas não o final, precisamos de homens públicos que sirvam a sociedade, e não que queiram que a sociedade os sirvam. De órgãos ambientais a serviço da população, porque se são tão importantes – e realmente são – a quase totalidade das pessoas que se relacionam com eles por necessidade ou mera busca de respostas não deveria temê-los ou odiá-los! É inexplicável, salvo não estarem cumprindo com suas metas.
Temos de falar menos de meio ambiente e reestudar o termo "ecologia".

* Luciano Pizzatto, Eng. Florestal, Empresário do setor, Diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, Deputado de 1989/2003, detentor do Prêmio Nacional de Ecologia.

A macrobeleza dos microliquens!

Liquens crustosos, saxícolas em costão rochoso, as 'pontuações' vermelhas e negras são estruturas de reprodução sexuada chamadas apotécios!

Liquens crustosos, corticícolas!


Líquens crustosos, corticícolas!


Liquens crustosos, sobre mourão de madeira!


Líquen crustoso, família Graphidaceae, essas 'linhas' brancas são estruturas de reprodução sexuada chamadas lirelas.